terça-feira, 14 de outubro de 2025

No Marajó, concurso de fotografia divulga os vencedores

 O II Prêmio Jota Barbosa de Fotografia divulgou os vencedores e vem se consolidando como espaço de valorização do olhar marajoara sobre sua própria terra. A seleção final reuniu 15 imagens que farão parte da exposição em Afuá-PA nos dias 17 e 18 de outubro, incluindo a mostra flutuante pelos rios no segundo dia e a cerimônia de premiação com apresentações de danças e músicas regionais.


Fotografia campeã. Autor: Foto Valdo.

O Prêmio Jota Barbosa de Fotografia que está na sua segunda edição, foi idealizado pelo fotógrafo Jota Barbosa, morador da cidade de Afuá, em 2024, como forma de comemorar seus 10 anos como fotógrafo. O sucesso foi tão grande que ele resolveu dar continuidade à premiação, dessa vez expandindo para todo o Marajó.

O prêmio objetiva incentivar a arte da fotografia entre os moradores da Ilha de Marajó, promovendo a cultura local e revelando novos talentos. O prêmio valoriza a arte fotográfica como expressão artística e estimula a criatividade de profissionais e amadores que se dedicam a arte de captar imagens, sensibilizando o olhar fotográfico e promovendo o interesse por essa arte. Puderam participar do concurso apenas pessoas residentes na Ilha de Marajó, em qualquer dos seus 17 municípios.


Arte do Prêmio deste ano. Crédito: Argeu Barbosa

Segundo Jota, essa premiação de fotografia é uma oportunidade que o marajoara tem de mostrar o seu olhar sobre o seu próprio território. "Essa premiação de fotografia é uma oportunidade que o marajoara tem de mostrar o seu olhar sobre o seu próprio território, sobre o lugar em que vive. A gente que mora aqui temos que ser protagonistas da nossa própria história! Não podemos esperar alguém venha de fora para fazer algo que a gente como morador poderia está fazendo. É uma forma de empoderamento, ao mostrar o que a gente vê para o mundo.", afirmou.

O vencedor deste concurso, Foto Valdo, é morador da cidade de Portel, tem 55 anos, e ficou extremamente contente com a sua vitória. “Fiquei imensamente feliz em ter recebido o resultado como campeão do concurso, vitória essa de extrema relevância para o reconhecimento do meu trabalho e conquistar novos horizontes pela magnitude que o concurso promove”, afirmou.

Com o título “Raios Solares”, a foto vencedora retrata uma casa de forno na zona rural do Município de Portel, local do trabalho de sustento de muitas famílias ribeirinhas. “Resolvi escolher essa foto por mostrar o trabalho do homem do campo, no qual o casal com o compromisso do sustento de sua família, acordam cedo para a labuta do dia a dia. Enquanto que o marido corta e carrega a lenha para o forno, a esposa cuida no processo de preparação da mandioca para produzir a farinha. Meios de subsistência do casal no meio em que vivem. Consegui fazer esse registro quando estive fazendo um trabalho de fotos para uma empresa. Quando vi aquele momento de raios do sol atravessando entre as arvores e criando esse momento único, resolvi fazer a foto que me chamou bastante atenção por perceber a silhueta que formava naquele momento”, afirmou o campeão.                                                                                                                                                


Foto "Raios Solares", 1° colocada no concurso. Autor: Foto Valdo.

Participação e seleção

As inscrições iniciaram em agosto e encerraram dia 06 de setembro. O prêmio recebeu um total expressivo de participantes: 187 fotógrafos, entre amadores e profissionais, de todos os 17 municípios da Ilha do Marajó, que inscreveram 528 fotografias, mostrando a diversidade de paisagens, povos e histórias locais. A comissão julgadora foi composta por 4 jurados, do Pará e Amapá, todos com grande experiencia na área da fotografia, um deles foi o fotografo Jota Barbosa, criador do prêmio. Os vencedores foram anunciados dia 01 de outubro. Eles selecionaram as 14 melhores fotografias, incluindo a que ficou em 1°, 2° e 3° lugar. Uma fotografia foi eleita a melhor pelo público. No total 15 fotografias vencedoras farão parte das exposições que acontecerão dias 17 e 18 de outubro na cidade de Afuá, também localizada no Marajó. No segundo dia de evento, a exposição será flutuante pelos rios de Afuá, a bordo de um navio, neste evento também ocorrerá a cerimônia de premiação dos vencedores.

O grande vencedor receberá como premiação R$ 1.000,00, troféu de campeão e mais uma viagem para a cerimônia de premiação. Também serão premiados o segundo e terceiro lugar. Será premiado também o campeão através da votação popular. Os demais vencedores receberão certificado de menção honrosa.


Cidade de Afuá, onde ocorrerão as exposições e cerimônia de premiação.

Troféu de campeão que será dado ao 1° colocado.

Para Pedro Dias, fotógrafo de 20 anos de idade da cidade de Bagre e segundo colocado no concurso, a foto “Vida no Interior” representa o cotidiano na ilha de Marajó e essa premiação significa motivação para continuar fazendo um bom trabalho. “Eu não imaginei que iria ficar em segundo lugar, por que as outras fotos concorrentes eram muito lindas, mas eu estava confiante. Quando vi o resultado, fiquei muito satisfeito com a minha colocação. Estou feliz de saber que cheguei tão longe participando pela primeira vez de um concurso de fotografia. Comecei tirando fotos com celular, estou começando a comprar meus materiais e ganhar esse prêmio em segundo lugar me inspirou muito a continuar, porque eu já tinha parado praticamente com a fotografia", contou Pedro.


Foto "Vida no Interior", 2° colocada no concurso. Autor: Pedro Dias.

Para o terceiro colocado na competição, Jota Dias, fotografo da cidade de São Sebastião Da Boa Vista, sua foto “O Salto” representa o principal entretenimento dos ribeirinhos. “Não existe nada melhor que aquele salto no rio e ficar horas de molho sem as preocupações que a vida nos dá. A nossa diversão para todas as idades.”, contou. Jota Dias conta da felicidade de receber a noticia do resultado do concurso. “Foi uma surpresa tão boa que eu estava sozinho em casa e comecei a pular de alegria em todos os cômodos. Essa vitória pra mim é como uma resposta de que estou no caminho certo e é uma honra ver a minha cidade representada nessa premiação. Essa foto foi tirada em dias onde eu estava passando por dias sombrios na vida e quando olho pra ela vejo que as vezes só precisamos pular na água sem medo de ser...No momento estava eu sentado na beira da ponte e no meio de muitos clics, esse aconteceu”, revelou o fotografo de 26 anos de idade.


Foto "O Salto", 3° colocada no concurso. Autor: Jota Dias.

Já o campeão pelo voto do público foi Filipe Pontes, de 26 anos de idade e morador da cidade de Breves. Com a foto intitulada “Hope”, que em inglês significa esperança, a fotografia recebeu 412 votos. Segundo Filipe ela foi tirada no trapiche da cidade de Melgaço, no amanhecer. “Coloco como esperança, pois é um dos significados da garça e vejo Jesus como a esperança para o mundo e ver ela ali e eu voltando de uma missão, é ver Jesus ali simbolizado por uma ave”, comentou.

Ele define a sua vitória como “benção de Deus”. “Eu estava no Igarapé aproveitando o tempo com amigos, quando abri meu Instagram e vi a notícia. Fiquei espantado e muito alegre por saber que a minha foto foi escolhida pelo público, foi a mais votada. A gente percebe o quão importante é a gente ter amigos, não por interesse, mas ter amigos que vão estar ali em todos os momentos. Então fiquei bem feliz, foi muito gratificante pra mim. Essa vitória significa bênção do Senhor, é Deus mostrando todo o cuidado dele. Isso não é para mim, para o homem, mas sim para Deus ser glorificado sobre todas essas coisas. Não é sobre uma religião, não é sobre uma placa de igreja, mas é sobre um Deus que, de todas as maneiras, ele nos mostra que ele está ali, cuidando", afirmou.


Foto "Hope", campeã pelo voto popular. Autor: Filipe Pontes.

Significado e próximos passos

O II Prêmio Jota Barbosa de Fotografia reafirma a proposta de empoderamento cultural proposta por seu criador: dar voz e visibilidade ao olhar dos moradores do Marajó sobre seu próprio território. Jota Barbosa, cujo trabalho já foi reconhecido em prêmios nacionais e internacionais, enxerga a iniciativa como forma de fortalecer protagonismos locais e revelar talentos que surgem nas cidades marajoaras.

Jota Barbosa é um fotógrafo Marajoara, de 30 anos. morador de Afuá. Há 11 anos se dedica a divulgar seu município de Afuá, sua região do Marajó e a Amazônia. Filho de pescadores e agricultores, é apontado com um dos grandes expoentes da fotografia na Amazônia. Jota também é autista, condição que o ajuda a ter um olhar ainda mais sensível quando capta suas imagens. A condição autista de Jota não só influenciou sua forma de ver o mundo, mas também enriqueceu seu trabalho artístico

Jota já expôs em vários países da Europa e nos maiores museus do Brasil, sendo um dos premiados em 2022 com o "Prix de L'artiste de L'année" (Prêmio Artista do Ano), no Museu do Louvre, em Paris.

Hoje, com 9 prêmios nacionais e 6 prêmios internacionais na fotografia, Jota Barbosa tem orgulho de suas raízes marajoaras, é um artista da floresta e todas as suas fotos premiadas foram sobre a Ilha de Marajó, um lugar que este fotógrafo tem orgulho de viver e divulgar ao mundo.


Criador do Prêmio, fotógrafo Jota Barbosa.

Confira todos os demais vencedores da Menção Honrosa:

Teikke (Ponta de Pedras) — Maria das Graças



Teddy Harrison (Anajás) — Desenho nas Águas



Felipe Silva (Muaná) — O silêncio de memórias ancestrais



Tatá Pacheco (Oeiras do Pará) - Guardião das Águas



Kiko Maia (Muaná) - Passadora Luciane



Aguinaldo Moraes (Anajás) - Frutos do rio e da resistência amazônica



Dheimison Logan (Muaná) - Campos Muanenses



Dheimison Logan (Muaná) - Retratos ribeirinhos



Sidney (Breves) - Matriarcado Ribeirinho



Hesron Valle (Breves) - Tomando banho de rio



Olhar de Sthe (Ponta de Pedras) - Pequeno pescador



terça-feira, 1 de abril de 2025

Video: Maré alta invade festa de aniversário em Afuá

Imagine celebrar seu aniversário em grande estilo - amigos, família, música ao vivo - quando, de repente, a maré começa a invadir o local da festa. A primeira reação seria pânico, certo? Pois bem, não em Afuá, na Ilha de Marajó, onde até a água é acolhida como convidada especial.

Água invadiu o local do evento.  

Foi exatamente isso que aconteceu na madrugada do último domingo (30). Márcio Brito, um empresário local, comemorava seus 39 anos com tudo planejado, quando a água começou a invadir o local do evento. Mas a festa seguiu em frente como se a água fosse parte do espetáculo. A água não era intrusa, era protagonista. O ambiente ficou ainda mais animado, com danças e sorrisos espalhados por todos os lados, enquanto casais moviam-se elegantemente dançando pelas "pistas de água". Se você pensa que é um contratempo, para o afuaense, é pura cultura e diversão.

Afuá, conhecida como a "Veneza Marajoara", é uma cidade cheia de canais que, nos meses de março e abril, se transforma com a maré alta. Casas, comércios, igrejas e até bancos sofrem alagamentos, mas tudo continua funcionando normalmente. Em vez de resistência, há celebração. A população já se acostumou e até espera por esse fenômeno da natureza como parte de seu cotidiano. Para eles, a maré alta é um motivo de felicidade coletiva, uma experiência que une a comunidade e a natureza.

Segundo o aniversariante Márcio Brito, todos já sabiam que ia ter maré alta e já estavam esperando por isso. "Já estávamos lá com um suporte para levantar o som e a fiação elétrica. Já tínhamos avisado a todos. Quando a maré começou a invadir tudo, todos tiraram e guardaram seus sapatos, todo mundo continuou na sua mesa, dançando, se divertindo, foi uma experiência muito legal, todo mundo se divertiu e gostou e a festa continuou até às 5h da manhã", contou.

A cantora Vanya Magalhães, que se apresentava durante a festa, também encarou a situação com graça e leveza. "Foi divertido, foi diferente. Cantar na água, a maré subindo e a Vanya cantando, é a magia de Afuá", comentou entre risadas, enquanto mantinha o show como se estivesse num palco aquático especialmente montado para a ocasião.

Nas redes sociais, os vídeos do evento viralizaram. Em meio ao alagamento, as pessoas aparecem dançando e aproveitando cada momento, numa demonstração de que, em Afuá, a vida é aproveitada com entusiasmo, independentemente da situação.

O que torna Afuá singular é essa capacidade de transformar o inusitado em algo extraordinário. Para quem nunca viu algo parecido, pode parecer surreal, mas para os moradores, é apenas mais um dia vivido com alegria e autenticidade.

Assista ao video:



A celebração da maré alta em Afuá

Em Afuá, localizada na Ilha de Marajó, no Pará, conhecida carinhosamente como a Veneza Marajoara, a maré alta não é sinônimo de tragédia, mas de festa, tradição e adaptação. No último fim de semana, a cidade viveu momentos inesquecíveis com o fenômeno local – a tão celebrada maré lançante – que transforma as ruas em cenários flutuantes, ressignificando a relação dos afuaenses com a natureza.

Orla da cidade lotada de pessoas aproveitando a maré alta na tarde da segunda-feira (31). Foto: Jota Barbosa

Segundo a professora licenciada em geografia, Flor Prado, o fenômeno, cientificamente chamado de maré de sizígia, ocorre quando a Terra e a Lua se alinham, e a Lua exerce uma atração sobre a água do mar. “O fenômeno de marés alta na Ilha do Marajó são causados pela influência da Lua sobre o mar. A maré de lance (lançante), também conhecida como maré viva, é um fenômeno que ocorre durante as luas cheia e nova, quando a diferença entre a baixa e a cheia é maior. A maré alta alaga praticamente todo o território da Ilha”, afirmou.

Essa combinação dos astros potencializa a força gravitacional, fazendo com que a água suba em níveis extraordinários. Em Afuá, cuja altimetria é baixa e marcada pela presença de construções sobre palafitas – uma resposta engenhosa às constantes cheias dos rios – a maré lançante revela uma harmonia singular entre o movimento natural dos elementos e a cultura local.

Rua alagada. Foto: Jota Barbosa.

A água invade a cidade inundando casas, comércios, igrejas, bancos, mas o afuaense convive sem muitos transtornos com isso e tudo continua funcionando normalmente. Em Afuá a população aprendeu a conviver com a água, a população celebra a maré alta. Essa situação é inusitada para a maioria das pessoas, mas normal para quem mora na cidade.

Diferente da visão comum de enchentes como fonte de desgraças, em Afuá a alta da maré, que dura por aproximadamente duas a três horas, é aguardada com entusiasmo. Mesmo quando as ruas se tornam verdadeiros cursos d’água – em alguns pontos, a água chega a subir quase um metro acima do piso – moradores e visitantes sabem que o recuo da maré é garantido. Essa previsibilidade permite que a população se organize e aproveite o momento com leveza: crianças, jovens e adultos se divertem banhando-se, passeando, fotografando e até pedalando sobre as águas, transformando o desafio em pura celebração.

Agencia bancária continuou funcionando normalmente. Foto: Jota Barbosa.

Lojas continuam abertas e funcionando. Foto: Jota Barbosa.

O fenômeno ocorreu no último fim de semana, mas teve seu ápice na tarde da última segunda-feira (31), quando cerca de 3 mil pessoas se reuniram na orla para acompanhar de perto a maré lançante. A energia contagiante desse encontro mostra como a cidade se reinventa a cada maré alta. O espetáculo natural não só atrai turistas em busca de uma experiência singular, mas também reafirma o orgulho dos afuaenses por sua identidade única – uma convivência harmoniosa com a água que, ao invés de paralisar a rotina, enriquece o cotidiano com momentos de pura alegria e diversão.

População aproveitando a maré alta. Foto: Jota Barbosa.

Bar. Foto: Jota Barbosa

A historiadora Marcela Lima vê esse momento como extrema felicidade para o afuaense. “É o momento em que as pessoas aguardam para se reunir com a família, passear, para observar a maré lançante, é o momento em que a quadra e as principais ruas da cidade ficam lotadas, o povo compartilhando o momento. Temos também as preocupações com relação aos animais peçonhentos que acabam subindo, só que a felicidade de ver esse fenômeno da natureza que em muitos lugares é visto com preocupação, para nós culturalmente já é algo que estamos acostumados e que a gente aguarda sempre para celebrar, passeando pelas ruas inundadas ou quem é mais caseiro fica em casa observando o povo passar, enfim a lançante pro afuaense faz parte de uma felicidade coletiva", contou. 

Para a pesquisadora Rose Show, a relação do afuaense com os rios vem desde os tempos dos nossos ancestrais. "Ele [o rio] é e será tão importante para os setores econômico, transporte, agricultura e seus avanços, a alimentação, a relação social de uma comunidade ir até a outra, vir para a cidade, para o intercâmbio com outros municípios e estados e principalmente para o lazer, o entretenimento, a alegria. Quem não sente aquela emoção de ir dar a volta na cidade de bicicleta ou andando, na época das águas de março ou abril, nas nossas lançantes, nossas enchentes? É tão importante que eu enquanto escritora do município coloquei "Afuá Entre Rios, Pontes e Palafitas" [nome do seu livro] e também compus a linda música "Rios do Afuá", afirmou.

Centro da cidade. Foto: Jota Barbosa.

Milhares de pessoas tomando banho e se divertindo. Foto: Jota Barbosa.

A maré lançante em Afuá transcende a imagem de alagamento. Ela nos convida a repensar a relação que temos com a natureza e a valorizar o poder da adaptação. Em vezes em que enchentes representam perda e devastação, Afuá nos ensina que os desafios podem se transformar em momentos de união, criatividade e, principalmente, em uma celebração da vida.

A relação entre o afuaense e a água vai muito além da adaptação física: É uma manifestação viva da nossa cultura. A maré lançante é parte da identidade da cidade, um símbolo de resiliência e de como transformamos desafios em celebração. O fenômeno ilustra de forma impressionante a interação dos elementos naturais com a ação humana. Em Afuá, a adaptação arquitetônica e cultural permite que a alta maré seja vista como um presente da natureza, e não como um incômodo. Caminhar e pedalar sobre as águas é uma experiência quase poética, que une o antigo e o moderno, o natural e o cultural, em um único ato de comunhão com o ambiente.

 

Rua e praça alagadas. Foto: Josivan Santos.

Foto: Jota Barbosa

Praça da igreja matriz. Foto: Josivan Santos.

Foto: Jota Barbosa

Diversão na maré. Foto: Jota Barbosa.

Foto: Jota Barbosa

Foto: Jota Barbosa

Foto: Jota Barbosa

Assista a vídeos da maré alta em Afuá no Instagram:

Video 1: https://www.instagram.com/reel/DH1p2lyBLIK/?igsh=ZWxrY2hvazZ2ZjVw

Video 2: https://www.instagram.com/reel/DH1frfcBy7W/?igsh=N2Q3dDV0cWRlN2Rs

Video 3: https://www.instagram.com/reel/DH1d1T-S3qW/?igsh=MWp2cjUwbXhiMjl4Zw==