terça-feira, 14 de outubro de 2025

No Marajó, concurso de fotografia divulga os vencedores

 O II Prêmio Jota Barbosa de Fotografia divulgou os vencedores e vem se consolidando como espaço de valorização do olhar marajoara sobre sua própria terra. A seleção final reuniu 15 imagens que farão parte da exposição em Afuá-PA nos dias 17 e 18 de outubro, incluindo a mostra flutuante pelos rios no segundo dia e a cerimônia de premiação com apresentações de danças e músicas regionais.


Fotografia campeã. Autor: Foto Valdo.

O Prêmio Jota Barbosa de Fotografia que está na sua segunda edição, foi idealizado pelo fotógrafo Jota Barbosa, morador da cidade de Afuá, em 2024, como forma de comemorar seus 10 anos como fotógrafo. O sucesso foi tão grande que ele resolveu dar continuidade à premiação, dessa vez expandindo para todo o Marajó.

O prêmio objetiva incentivar a arte da fotografia entre os moradores da Ilha de Marajó, promovendo a cultura local e revelando novos talentos. O prêmio valoriza a arte fotográfica como expressão artística e estimula a criatividade de profissionais e amadores que se dedicam a arte de captar imagens, sensibilizando o olhar fotográfico e promovendo o interesse por essa arte. Puderam participar do concurso apenas pessoas residentes na Ilha de Marajó, em qualquer dos seus 17 municípios.


Arte do Prêmio deste ano. Crédito: Argeu Barbosa

Segundo Jota, essa premiação de fotografia é uma oportunidade que o marajoara tem de mostrar o seu olhar sobre o seu próprio território. "Essa premiação de fotografia é uma oportunidade que o marajoara tem de mostrar o seu olhar sobre o seu próprio território, sobre o lugar em que vive. A gente que mora aqui temos que ser protagonistas da nossa própria história! Não podemos esperar alguém venha de fora para fazer algo que a gente como morador poderia está fazendo. É uma forma de empoderamento, ao mostrar o que a gente vê para o mundo.", afirmou.

O vencedor deste concurso, Foto Valdo, é morador da cidade de Portel, tem 55 anos, e ficou extremamente contente com a sua vitória. “Fiquei imensamente feliz em ter recebido o resultado como campeão do concurso, vitória essa de extrema relevância para o reconhecimento do meu trabalho e conquistar novos horizontes pela magnitude que o concurso promove”, afirmou.

Com o título “Raios Solares”, a foto vencedora retrata uma casa de forno na zona rural do Município de Portel, local do trabalho de sustento de muitas famílias ribeirinhas. “Resolvi escolher essa foto por mostrar o trabalho do homem do campo, no qual o casal com o compromisso do sustento de sua família, acordam cedo para a labuta do dia a dia. Enquanto que o marido corta e carrega a lenha para o forno, a esposa cuida no processo de preparação da mandioca para produzir a farinha. Meios de subsistência do casal no meio em que vivem. Consegui fazer esse registro quando estive fazendo um trabalho de fotos para uma empresa. Quando vi aquele momento de raios do sol atravessando entre as arvores e criando esse momento único, resolvi fazer a foto que me chamou bastante atenção por perceber a silhueta que formava naquele momento”, afirmou o campeão.                                                                                                                                                


Foto "Raios Solares", 1° colocada no concurso. Autor: Foto Valdo.

Participação e seleção

As inscrições iniciaram em agosto e encerraram dia 06 de setembro. O prêmio recebeu um total expressivo de participantes: 187 fotógrafos, entre amadores e profissionais, de todos os 17 municípios da Ilha do Marajó, que inscreveram 528 fotografias, mostrando a diversidade de paisagens, povos e histórias locais. A comissão julgadora foi composta por 4 jurados, do Pará e Amapá, todos com grande experiencia na área da fotografia, um deles foi o fotografo Jota Barbosa, criador do prêmio. Os vencedores foram anunciados dia 01 de outubro. Eles selecionaram as 14 melhores fotografias, incluindo a que ficou em 1°, 2° e 3° lugar. Uma fotografia foi eleita a melhor pelo público. No total 15 fotografias vencedoras farão parte das exposições que acontecerão dias 17 e 18 de outubro na cidade de Afuá, também localizada no Marajó. No segundo dia de evento, a exposição será flutuante pelos rios de Afuá, a bordo de um navio, neste evento também ocorrerá a cerimônia de premiação dos vencedores.

O grande vencedor receberá como premiação R$ 1.000,00, troféu de campeão e mais uma viagem para a cerimônia de premiação. Também serão premiados o segundo e terceiro lugar. Será premiado também o campeão através da votação popular. Os demais vencedores receberão certificado de menção honrosa.


Cidade de Afuá, onde ocorrerão as exposições e cerimônia de premiação.

Troféu de campeão que será dado ao 1° colocado.

Para Pedro Dias, fotógrafo de 20 anos de idade da cidade de Bagre e segundo colocado no concurso, a foto “Vida no Interior” representa o cotidiano na ilha de Marajó e essa premiação significa motivação para continuar fazendo um bom trabalho. “Eu não imaginei que iria ficar em segundo lugar, por que as outras fotos concorrentes eram muito lindas, mas eu estava confiante. Quando vi o resultado, fiquei muito satisfeito com a minha colocação. Estou feliz de saber que cheguei tão longe participando pela primeira vez de um concurso de fotografia. Comecei tirando fotos com celular, estou começando a comprar meus materiais e ganhar esse prêmio em segundo lugar me inspirou muito a continuar, porque eu já tinha parado praticamente com a fotografia", contou Pedro.


Foto "Vida no Interior", 2° colocada no concurso. Autor: Pedro Dias.

Para o terceiro colocado na competição, Jota Dias, fotografo da cidade de São Sebastião Da Boa Vista, sua foto “O Salto” representa o principal entretenimento dos ribeirinhos. “Não existe nada melhor que aquele salto no rio e ficar horas de molho sem as preocupações que a vida nos dá. A nossa diversão para todas as idades.”, contou. Jota Dias conta da felicidade de receber a noticia do resultado do concurso. “Foi uma surpresa tão boa que eu estava sozinho em casa e comecei a pular de alegria em todos os cômodos. Essa vitória pra mim é como uma resposta de que estou no caminho certo e é uma honra ver a minha cidade representada nessa premiação. Essa foto foi tirada em dias onde eu estava passando por dias sombrios na vida e quando olho pra ela vejo que as vezes só precisamos pular na água sem medo de ser...No momento estava eu sentado na beira da ponte e no meio de muitos clics, esse aconteceu”, revelou o fotografo de 26 anos de idade.


Foto "O Salto", 3° colocada no concurso. Autor: Jota Dias.

Já o campeão pelo voto do público foi Filipe Pontes, de 26 anos de idade e morador da cidade de Breves. Com a foto intitulada “Hope”, que em inglês significa esperança, a fotografia recebeu 412 votos. Segundo Filipe ela foi tirada no trapiche da cidade de Melgaço, no amanhecer. “Coloco como esperança, pois é um dos significados da garça e vejo Jesus como a esperança para o mundo e ver ela ali e eu voltando de uma missão, é ver Jesus ali simbolizado por uma ave”, comentou.

Ele define a sua vitória como “benção de Deus”. “Eu estava no Igarapé aproveitando o tempo com amigos, quando abri meu Instagram e vi a notícia. Fiquei espantado e muito alegre por saber que a minha foto foi escolhida pelo público, foi a mais votada. A gente percebe o quão importante é a gente ter amigos, não por interesse, mas ter amigos que vão estar ali em todos os momentos. Então fiquei bem feliz, foi muito gratificante pra mim. Essa vitória significa bênção do Senhor, é Deus mostrando todo o cuidado dele. Isso não é para mim, para o homem, mas sim para Deus ser glorificado sobre todas essas coisas. Não é sobre uma religião, não é sobre uma placa de igreja, mas é sobre um Deus que, de todas as maneiras, ele nos mostra que ele está ali, cuidando", afirmou.


Foto "Hope", campeã pelo voto popular. Autor: Filipe Pontes.

Significado e próximos passos

O II Prêmio Jota Barbosa de Fotografia reafirma a proposta de empoderamento cultural proposta por seu criador: dar voz e visibilidade ao olhar dos moradores do Marajó sobre seu próprio território. Jota Barbosa, cujo trabalho já foi reconhecido em prêmios nacionais e internacionais, enxerga a iniciativa como forma de fortalecer protagonismos locais e revelar talentos que surgem nas cidades marajoaras.

Jota Barbosa é um fotógrafo Marajoara, de 30 anos. morador de Afuá. Há 11 anos se dedica a divulgar seu município de Afuá, sua região do Marajó e a Amazônia. Filho de pescadores e agricultores, é apontado com um dos grandes expoentes da fotografia na Amazônia. Jota também é autista, condição que o ajuda a ter um olhar ainda mais sensível quando capta suas imagens. A condição autista de Jota não só influenciou sua forma de ver o mundo, mas também enriqueceu seu trabalho artístico

Jota já expôs em vários países da Europa e nos maiores museus do Brasil, sendo um dos premiados em 2022 com o "Prix de L'artiste de L'année" (Prêmio Artista do Ano), no Museu do Louvre, em Paris.

Hoje, com 9 prêmios nacionais e 6 prêmios internacionais na fotografia, Jota Barbosa tem orgulho de suas raízes marajoaras, é um artista da floresta e todas as suas fotos premiadas foram sobre a Ilha de Marajó, um lugar que este fotógrafo tem orgulho de viver e divulgar ao mundo.


Criador do Prêmio, fotógrafo Jota Barbosa.

Confira todos os demais vencedores da Menção Honrosa:

Teikke (Ponta de Pedras) — Maria das Graças



Teddy Harrison (Anajás) — Desenho nas Águas



Felipe Silva (Muaná) — O silêncio de memórias ancestrais



Tatá Pacheco (Oeiras do Pará) - Guardião das Águas



Kiko Maia (Muaná) - Passadora Luciane



Aguinaldo Moraes (Anajás) - Frutos do rio e da resistência amazônica



Dheimison Logan (Muaná) - Campos Muanenses



Dheimison Logan (Muaná) - Retratos ribeirinhos



Sidney (Breves) - Matriarcado Ribeirinho



Hesron Valle (Breves) - Tomando banho de rio



Olhar de Sthe (Ponta de Pedras) - Pequeno pescador



terça-feira, 1 de abril de 2025

Video: Maré alta invade festa de aniversário em Afuá

Imagine celebrar seu aniversário em grande estilo - amigos, família, música ao vivo - quando, de repente, a maré começa a invadir o local da festa. A primeira reação seria pânico, certo? Pois bem, não em Afuá, na Ilha de Marajó, onde até a água é acolhida como convidada especial.

Água invadiu o local do evento.  

Foi exatamente isso que aconteceu na madrugada do último domingo (30). Márcio Brito, um empresário local, comemorava seus 39 anos com tudo planejado, quando a água começou a invadir o local do evento. Mas a festa seguiu em frente como se a água fosse parte do espetáculo. A água não era intrusa, era protagonista. O ambiente ficou ainda mais animado, com danças e sorrisos espalhados por todos os lados, enquanto casais moviam-se elegantemente dançando pelas "pistas de água". Se você pensa que é um contratempo, para o afuaense, é pura cultura e diversão.

Afuá, conhecida como a "Veneza Marajoara", é uma cidade cheia de canais que, nos meses de março e abril, se transforma com a maré alta. Casas, comércios, igrejas e até bancos sofrem alagamentos, mas tudo continua funcionando normalmente. Em vez de resistência, há celebração. A população já se acostumou e até espera por esse fenômeno da natureza como parte de seu cotidiano. Para eles, a maré alta é um motivo de felicidade coletiva, uma experiência que une a comunidade e a natureza.

Segundo o aniversariante Márcio Brito, todos já sabiam que ia ter maré alta e já estavam esperando por isso. "Já estávamos lá com um suporte para levantar o som e a fiação elétrica. Já tínhamos avisado a todos. Quando a maré começou a invadir tudo, todos tiraram e guardaram seus sapatos, todo mundo continuou na sua mesa, dançando, se divertindo, foi uma experiência muito legal, todo mundo se divertiu e gostou e a festa continuou até às 5h da manhã", contou.

A cantora Vanya Magalhães, que se apresentava durante a festa, também encarou a situação com graça e leveza. "Foi divertido, foi diferente. Cantar na água, a maré subindo e a Vanya cantando, é a magia de Afuá", comentou entre risadas, enquanto mantinha o show como se estivesse num palco aquático especialmente montado para a ocasião.

Nas redes sociais, os vídeos do evento viralizaram. Em meio ao alagamento, as pessoas aparecem dançando e aproveitando cada momento, numa demonstração de que, em Afuá, a vida é aproveitada com entusiasmo, independentemente da situação.

O que torna Afuá singular é essa capacidade de transformar o inusitado em algo extraordinário. Para quem nunca viu algo parecido, pode parecer surreal, mas para os moradores, é apenas mais um dia vivido com alegria e autenticidade.

Assista ao video:



A celebração da maré alta em Afuá

Em Afuá, localizada na Ilha de Marajó, no Pará, conhecida carinhosamente como a Veneza Marajoara, a maré alta não é sinônimo de tragédia, mas de festa, tradição e adaptação. No último fim de semana, a cidade viveu momentos inesquecíveis com o fenômeno local – a tão celebrada maré lançante – que transforma as ruas em cenários flutuantes, ressignificando a relação dos afuaenses com a natureza.

Orla da cidade lotada de pessoas aproveitando a maré alta na tarde da segunda-feira (31). Foto: Jota Barbosa

Segundo a professora licenciada em geografia, Flor Prado, o fenômeno, cientificamente chamado de maré de sizígia, ocorre quando a Terra e a Lua se alinham, e a Lua exerce uma atração sobre a água do mar. “O fenômeno de marés alta na Ilha do Marajó são causados pela influência da Lua sobre o mar. A maré de lance (lançante), também conhecida como maré viva, é um fenômeno que ocorre durante as luas cheia e nova, quando a diferença entre a baixa e a cheia é maior. A maré alta alaga praticamente todo o território da Ilha”, afirmou.

Essa combinação dos astros potencializa a força gravitacional, fazendo com que a água suba em níveis extraordinários. Em Afuá, cuja altimetria é baixa e marcada pela presença de construções sobre palafitas – uma resposta engenhosa às constantes cheias dos rios – a maré lançante revela uma harmonia singular entre o movimento natural dos elementos e a cultura local.

Rua alagada. Foto: Jota Barbosa.

A água invade a cidade inundando casas, comércios, igrejas, bancos, mas o afuaense convive sem muitos transtornos com isso e tudo continua funcionando normalmente. Em Afuá a população aprendeu a conviver com a água, a população celebra a maré alta. Essa situação é inusitada para a maioria das pessoas, mas normal para quem mora na cidade.

Diferente da visão comum de enchentes como fonte de desgraças, em Afuá a alta da maré, que dura por aproximadamente duas a três horas, é aguardada com entusiasmo. Mesmo quando as ruas se tornam verdadeiros cursos d’água – em alguns pontos, a água chega a subir quase um metro acima do piso – moradores e visitantes sabem que o recuo da maré é garantido. Essa previsibilidade permite que a população se organize e aproveite o momento com leveza: crianças, jovens e adultos se divertem banhando-se, passeando, fotografando e até pedalando sobre as águas, transformando o desafio em pura celebração.

Agencia bancária continuou funcionando normalmente. Foto: Jota Barbosa.

Lojas continuam abertas e funcionando. Foto: Jota Barbosa.

O fenômeno ocorreu no último fim de semana, mas teve seu ápice na tarde da última segunda-feira (31), quando cerca de 3 mil pessoas se reuniram na orla para acompanhar de perto a maré lançante. A energia contagiante desse encontro mostra como a cidade se reinventa a cada maré alta. O espetáculo natural não só atrai turistas em busca de uma experiência singular, mas também reafirma o orgulho dos afuaenses por sua identidade única – uma convivência harmoniosa com a água que, ao invés de paralisar a rotina, enriquece o cotidiano com momentos de pura alegria e diversão.

População aproveitando a maré alta. Foto: Jota Barbosa.

Bar. Foto: Jota Barbosa

A historiadora Marcela Lima vê esse momento como extrema felicidade para o afuaense. “É o momento em que as pessoas aguardam para se reunir com a família, passear, para observar a maré lançante, é o momento em que a quadra e as principais ruas da cidade ficam lotadas, o povo compartilhando o momento. Temos também as preocupações com relação aos animais peçonhentos que acabam subindo, só que a felicidade de ver esse fenômeno da natureza que em muitos lugares é visto com preocupação, para nós culturalmente já é algo que estamos acostumados e que a gente aguarda sempre para celebrar, passeando pelas ruas inundadas ou quem é mais caseiro fica em casa observando o povo passar, enfim a lançante pro afuaense faz parte de uma felicidade coletiva", contou. 

Para a pesquisadora Rose Show, a relação do afuaense com os rios vem desde os tempos dos nossos ancestrais. "Ele [o rio] é e será tão importante para os setores econômico, transporte, agricultura e seus avanços, a alimentação, a relação social de uma comunidade ir até a outra, vir para a cidade, para o intercâmbio com outros municípios e estados e principalmente para o lazer, o entretenimento, a alegria. Quem não sente aquela emoção de ir dar a volta na cidade de bicicleta ou andando, na época das águas de março ou abril, nas nossas lançantes, nossas enchentes? É tão importante que eu enquanto escritora do município coloquei "Afuá Entre Rios, Pontes e Palafitas" [nome do seu livro] e também compus a linda música "Rios do Afuá", afirmou.

Centro da cidade. Foto: Jota Barbosa.

Milhares de pessoas tomando banho e se divertindo. Foto: Jota Barbosa.

A maré lançante em Afuá transcende a imagem de alagamento. Ela nos convida a repensar a relação que temos com a natureza e a valorizar o poder da adaptação. Em vezes em que enchentes representam perda e devastação, Afuá nos ensina que os desafios podem se transformar em momentos de união, criatividade e, principalmente, em uma celebração da vida.

A relação entre o afuaense e a água vai muito além da adaptação física: É uma manifestação viva da nossa cultura. A maré lançante é parte da identidade da cidade, um símbolo de resiliência e de como transformamos desafios em celebração. O fenômeno ilustra de forma impressionante a interação dos elementos naturais com a ação humana. Em Afuá, a adaptação arquitetônica e cultural permite que a alta maré seja vista como um presente da natureza, e não como um incômodo. Caminhar e pedalar sobre as águas é uma experiência quase poética, que une o antigo e o moderno, o natural e o cultural, em um único ato de comunhão com o ambiente.

 

Rua e praça alagadas. Foto: Josivan Santos.

Foto: Jota Barbosa

Praça da igreja matriz. Foto: Josivan Santos.

Foto: Jota Barbosa

Diversão na maré. Foto: Jota Barbosa.

Foto: Jota Barbosa

Foto: Jota Barbosa

Foto: Jota Barbosa

Assista a vídeos da maré alta em Afuá no Instagram:

Video 1: https://www.instagram.com/reel/DH1p2lyBLIK/?igsh=ZWxrY2hvazZ2ZjVw

Video 2: https://www.instagram.com/reel/DH1frfcBy7W/?igsh=N2Q3dDV0cWRlN2Rs

Video 3: https://www.instagram.com/reel/DH1d1T-S3qW/?igsh=MWp2cjUwbXhiMjl4Zw==



terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

A LITERATURA MARAJOARA GANHA ASAS

Membros Fundadores da AML - Academia Marajoara de Letras. Foto: Luis Marajó 

 

Filhos marajoaras apaixonados por sua cultura, escritores dos rios e florestas foram empossados, no dia 24 de fevereiro, em Ponta de Pedras, como Membros Fundadores da AML - Academia Marajoara de Letras, esta que tem como Patrono DALCÍDIO JURANDIR. 

O evento reuniu grandes personalidade, entre os quais: Agenor Sarraf (Melgaço), Mestre Damasceno (Salvaterra), Vanderley Castro (Breves) e Rose Show (Afuá). Quem também esteve presente, conduzindo o Momento Oficial da Cerimônia, foi o Presidente da FALPA - Federação das Academias de Letras do Pará, Franciorlis Viannza.

Foi visível a emoção no rosto dos empossados em cada etapa: Juramento, entrega do pelerine, discursos, Hino da AML, confraternização etc. Todos os empossados levaram exemplares de suas obras para ser criado o acervo literário da AML - Academia Marajoara de Letras.

Etapa do juramento. Foto: Luis Marajó 
 

Rose Show, autora de quatro obras, com formação em Políticas Públicas Para as Mulheres, proferiu um emocionante discurso:

"Excelentíssimas autoridades, queridos confrades, amadas confreiras, público em geral, saudações Marajoara!

Vim descalça porque minha passarela é o meu chão...

Ao Deus poderoso, aos nossos familiares, amigos e apoiadores dos nossos trabalhos, toda nossa gratidão por esta excelsa conquista.

Parabenizo aos organizadores do evento na pessoa da escritora Jaci Garcia, pelo empenho para que tudo isso se tornasse realidade.

O universo feminino literário marajoara, hoje, aqui representado por guerreiras sonhadoras que vislumbram um Marajó transcendente em distintos tabocais, faz ecoar os gritos das nossas manas que não estão mais neste plano e que, durante muito tempo, viveram o amargor da opressão, da submissão e do silenciamento.

Entre tantas violências por estas sofridas, foram impedidas de votarem, frequentarem escolas, darem opiniões e de escreverem uma obra.

Em 24 de fevereiro de 1932, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de votar pela primeira vez. Cá estamos, em 24 de fevereiro de 2024, conquistando o direito de ocuparmos cadeiras e assumirmos funções distintas na AML.

Hoje a Iara canta mais forte para festejar o brilho das escritoras protagonistas do Marajó.

Quantas marajoaras escreveram à prestação por conta dos afazeres domésticos?

Quantas vezes elas escreveram com a mão direita, enquanto que a esquerda sustentava uma criança sugando leite materno?Quantas vezes tiveram que ocultar escritas por falta de apoio e/ou até mesmo, por falta de coragem de se assumirem como escritoras por conta da intimidação?

Quantas vezes?

Quantas vezes?

Quantas vezes?

Em nosso caso, os desejos foram maiores que as intempéries; desta feita, transformamo-nos em vitórias- régias ( lindas, peculiares, necessárias, gigantes...) labirintando por entre rios, nos mananciais de vida, gente, cultura, meio ambiente, ancestralidade... Enfim, tantas riquezas!

Régia significa Rainha.

Somos RAINHAS, SIM! 

Aquelas meninas que amassavam o açaí, preparavam os peixes, cortavam lenha... Escutavam estórias enarradas por aqueles que as mostraram, com o brilho nos olhos, como deveríam valorizar cada ensinamento para sentirem o orgulho do pertencimento, transcreveram suas vivências e em tão expressivo momento, estão sendo coroadas.

Literatura entre rios é entrega, é a essência da identidade, é a expressão máxima de nossa inspiração...

Manas confreiras!

Eu as contemplo neste auditório e o que vejo é SUPERAÇÃO...

Tão belo quanto escrevermos um livro, é termos a certeza que estamos contribuindo com a caminhada rumo ao ápice dos registros históricos da nossa amada região, construindo um mosaico placentado por arte, cultura e educação eternas.

Somos inspiradas e inspiradoras.

Estamos bem mais que recebendo um diploma, mas, abrindo portas para outras gerações...

Já aprendemos nadar e caminhar entre palavras, agora devemos voar, voar e voar!

Um dia sonhamos em sermos escritoras, contudo, Deus quis que nós nos eternizássemos como membras pioneiras imortais da ACADEMIA MARAJOARA DE LETRAS.

CABOCLAS,

RIBEIRINHAS, 

NEGRAS,

INDÍGENAS,

MARAJOARAS...

SOMOS MEMBRAS!

MEMBRAS!

MEMBRAS!

VIVA A ARTE FEMININA LITERÁRIA DO MARAJÓ!!!"

Assim finalizou o seu discurso, sendo imensamente aplaudida por todos.

Presidente da AML, Vanderlei Castro, empossando a escritora Rose Show do município de Afuá, como Membra Fundadora da AML. Foto: Luis Marajó




 
Rose Show e Mestre Damasceno em uma conversa nos bastidores do evento. Foto: Luis Marajó 


sábado, 17 de junho de 2023

TV do Japão virá conhecer as belezas de Afuá e Chaves, no Marajó

Uma equipe da TBS TV, uma das maiores emissoras de TV do Japão está a caminho dos municípios de Afuá e Chaves, ambos localizados no Arquipélago de Marajó, no Pará, para registrar as belezas naturais, culturais e históricas dessas cidades. Eles pretendem produzir uma reportagem sobre a região, destacando o potencial turístico das cidades.

Região dos campos de Chaves. Foto: Marcinho Santos

A equipe desembarca neste domingo (18) no município de Chaves e depois seguirá para o município de Afuá na terça feira dia 20.

O município de Chaves, que fica próximo a cidade de Afuá, é conhecido por suas belas praias e sua região de campos, além do Festival do Vaqueiro e Pescador, que é realizado todos os anos no mês de julho. Mas é por causa da Pororoca que o município está cada vez ganhando mais fama nacional e internacional, atraindo turistas aventureiros do mundo inteiro. Pororoca é o fenômeno natural que ocorre quando há o encontro entre águas dos rios da Amazônia com águas do mar, produzindo ondas de vários metros de altura.

Pororoca em Chaves. Foto: Raimundo Paccó

Segundo a coordenadora de produção da reportagem, Shoko Mori, esse é um programa sobre viagem. "A pauta principal é a pororoca no Marajó, estamos com um surfista japonês para surfar na Pororoca. Também iremos mostrar um pouco da cultura e história da região. O programa está previsto para ir ao ar em agosto", relatou.

Um dos principais pontos turísticos de chaves, a sua bela praia. Foto: Pedro Sena

Já cidade de Afuá é conhecida como a cidade das bicicletas, sendo que a cidade é erguida sob palafitas e é famosa pelo seu Festival do Camarão e pelo uso do Bicitaxi, invenção local que é a junção de duas bicicletas. Na "Veneza Marajoara", como é chamada Afuá, a equipe irá conhecer de perto todas essas peculiaridades, irá mostrar a bela arquitetura da cidade com suas impressionantes casas coloridas, falará sobre a culinária local, com destaque para o prato típico do município que é o camarão com açaí, irá gravar também sobre os meios de transporte local como a Bicilância e Bicitaxi, além de entrevistar a atual rainha do Festival do Camarão.

Bicitaxi e bicicletas de Afuá. Foto: Jota Barbosa

Com certeza, a produção dessa reportagem irá contribuir para o aumento do turismo internacional nas duas cidades, tornando-se uma grande oportunidade para o desenvolvimento econômico e social desses dois municípios.

Afuá é uma cidade sobre palafitas. Foto: Jota Barbosa


quarta-feira, 14 de junho de 2023

Quadrilhas juninas de Afuá prometem espetáculo no Forrozão da Cidadania

Com a chegada dos festejos de São João, as quadrilhas juninas do município de Afuá, localizada no Arquipélago de Marajó, no Pará, já estão prontas para levar muita animação e alegria aos seus públicos. Com muita tradição e criatividade, as apresentações prometem encantar a todos que acompanharem os seus espetáculos no Forrozão da Cidadania.

Preparação das Quadrilhas juninas está a todo vapor. 

Este ano, três quadrilhas juninas se destacam por sua dedicação e empenho em apresentar um espetáculo inesquecível: a Quadrilha Sabor Junino, a Quadrilha Arafuá e a Quadrilha Tatu K-minha Dentro. Todas possuem uma longa tradição no cenário junino afuaense e muitos de seus membros ja receberam diversos prêmios em concursos de quadrilhas juninas.

O ponto alto da quadra junina afuaense é o "Forrozão da Cidadania", que acontecerá neste fim de semana (sábado e domingo), onde todas as quadrilhas dão o seu melhor para impactarem o público. Nesse evento, as quadrilhas se apresentam de forma completa tanto em termos de trajes quanto de coreografia.

Conversamos com os presidentes e coordenadores das três quadrilhas para saber um pouco mais sobre as expectativas e os preparativos para as apresentações deste ano.

Quadrilha Sabor Junino

A Quadrilha Sabor Junino é uma das mais tradicionais do município de Afuá. Surgida no bairro do Capim Marinho, é conhecida por suas apresentações criativas e muito bem elaboradas. Com figurinos e cenários criativos, a quadrilha, que tem dez anos de história no município, costuma surpreender o público a cada ano.

Apresentação da quadrilha Sabor Junino com seu traje Oficial de 2023. Foto: Jota Barbosa.


A Quadrilha está completando 10 anos de história neste ano e resolveram trazer o tema "É de arrepiar! Mitos e Lendas no São João de Afuá". Segundo a presidente da quadrilha, Rosane Thalia, a Sabor Junino está trabalhando bastante para criar um espetáculo que exalte a cultura e a tradição do município de Afuá e, ao mesmo tempo, divirta o público e o faça dançar e se emocionar, criando um ambiente que mostre toda a riqueza e misticidade que envolve as lendas do município.

"Nós resolvemos falar dos mitos e lendas porque queremos valorizar as nossas tradições, enaltecer os mestres da cultura popular e proporcionar aos afuaenses um momento de representatividade, em que eles revivam as histórias contadas por seus antepassados. Escolhemos essa proposta em agosto de 2022 e lançamos em dezembro do mesmo ano. Para desenvolver a temática, estamos tendo como base o livro "Afuá, entre Rios, Pontes e Palafitas", da escritora Rose Show. Buscamos um tema regionalizado porque a sabor Junino segue uma linha em que um ano é voltada às temáticas juninas e em outro ano, à temáticas regionais. Então no ano de 2023 falaremos sobre os mitos e lendas em homenagem ao nosso tão amado município de Afuá", afirmou a presidente.

Arte de divulgação do tema da quadrilha. Arte: Argeu Barbosa.

Rosane afirma que a apresentação desse ano será um espetáculo de Cultura, arte e tradição. "Nós esperamos realizar os 10 anos da Sabor Junino com muita alegria, dança e amor pelo São João, que todos os nossos esforços, todo nosso empenho seja demonstrado ali através do nosso espetáculo. Convidamos o público a prestigiar o nosso espetáculo de Cultura, arte e tradição. Será uma mega produção com movimentos corporais, teatro, dança e artes visuais, terão muitas novidades e surpresas para o brilhantismo do nosso show. Nós estamos trabalhando muito na preparação desse espetáculo, queremos trazer uma apresentação ainda mais emocionante e bonita do que as apresentações anteriores. Contamos com a presença de todos para prestigiar a nossa homenagem, então venha prestigiar o espetáculo de 10 anos da mais ousada de Afuá, Sabor Junino", contou.

Apresentação do último fim de semana. Foto: Jota Barbosa.

Foto: Jota Barbosa.

Quadrilha Arafuá


A Quadrilha Arafuá, por sua vez, tem nove anos de história no município e tem como principal característica a mistura e valorização de elementos da cultura nortista com elementos modernos e contemporâneos.


Apresentação da quadrilha com seu traje Oficial de 2023. Foto: João Campos.

A quadrilha traz neste ano o tema "Foi um rio que passou e me fez arrepiar, contando lendas, mitos e tradições de uma ilha chamada Afuá". Para o presidente da Arafuá, Raimundo Nonato, a ideia deste tema é valorizar as raízes da cultura afuaense, ligadas aos rios, lendas e mitos. "O tema desse ano  foi escolhido há cerca de cinco anos atrás, só que por dificuldades internas, esse tema veio sendo adiado. Mas nesse ano, reunimos e batemos o martelo. Vamos falar sobre Afuá, vamos resgatar elementos, história, resgatar algumas lendas que estavam sendo esquecidas pelos populares, fazer com que as crianças entendam a história do município onde elas moram. É um tema que eu gosto muito, o regional ele é muito vivo, ele é muito raiz, é muito forte. Vamos falar das lendas do município, dar ênfase a essas histórias que estão acabando, resgatar aquilo que é nosso e que a gente não dá valor muita das vezes", afirmou.

Arte feita para divulgação do tema deste ano. Arte: divulgação.


O tema é longo e Raimundo explica por partes. "O tema  é dividido. Sobre a questão dos Rios, "O rio que passou", Afuá é cortado por rios e uma das formas de chegada no município é através de rios. Então nós temos os rios em que a água enche e vaza, aonde o ribeirinho consegue seu alimento, onde as lendas ribeirinhas amazônicas estão, a questão da lenda da Iara, da cobra grande, dos encantados, está ai essa força do rio. E "fez arrepiar" - fez arrepiar por essas lendas, por esses contos, por essa situação que causa um certo tipo de arrepio. Falar sobre essas lendas causam esse ar de mistério. "Lendas, mitos e  tradições" - nós vamos com esse tema relatar a diferença dessas situações, expôr outras situações que estão sendo esquecidas pela juventude e pela sociedade. O mundo tecnológico está tomando conta e acaba que essas situações culturais vão aos poucos sumindo da mente das crianças e o foco maior é resgatar essa vivência. O final do tema é "Uma ilha chamada Afuá", é a nossa Ilha, nosso torrão", explicou.

Traje masculino. Foto: João Campos.

Raimundo fala das expectativas para o forrozão da cidadania neste ano. "Nossa expectativa para a apresentação são as melhores possíveis. Estamos nos esforçando ao máximo para aprontar tudo a tempo, para que tudo esteja muito bem feito, para que a gente desenvolva todas as ideias que estamos pensando. Iniciamos as apresentações em maio com o projeto "São João na minha terra", onde nos apresentamos em vários locais da cidade. A gente está buscando trazer novidades, trazer musicalidade, surpresas, em especial fazer uma boa apresentação com os elementos da nossa temática.Temos músicas autorais do grupo que falam sobre essas lendas, que falam sobre esses momentos culturais, um exemplo é a lenda do kutruku que nós temos uma música autoral de filhos aqui da terra e que vai ser apresentada no forrozão e dentre outras", relatou.

Apresentação do ultimo fim de semana. Foto: João Campos.

"A nossa apresentação, como as demais, irão vim recheadas de novidades, surpresas, de momentos diferenciados para que a comunidade observe e diga vocês estão de parabéns. Estamos muito felizes em fazer essa cultura e principalmente falar sobre a nossa cidade, falar sobre o espaço onde a gente mora, falar das pessoas que vivem aqui. Falar da cultura desse município é unir forças, juntar as mãos e trabalhar para que desenvolva mais e seja mais valorizada. É satisfatório ver o trabalho desenvolvido, eu observar nos olhos dos meus brincantes e ver a garra, a perseverança, a vontade de dançar, de fazer uma apresentação boa, de desenvolver  um bom trabalho, de mostrar para a sociedade que nós estamos aí vivos fazendo cultura da melhor forma possível, mostrar para o povo que Afuá tem grandes talentos", afirmou o presidente.

Foto João Campos.

Quadrilha Tatu K-minha Dentro

A quadrilha surgiu em Macapá nos anos 2000 e o professor Marcel Santos trouxe para o município de Afuá em 2013. Com dez anos de história na quadra junina afuaense, a Tatu K-minha Dentro, que é uma quadrilha matuta, vem mais um ano alegrar e colocar o povo pra dançar. Na quadrilha, as únicas regras são usar uma legging e um óculos escuros no rosto. Cada brincante se veste do jeito que quer. Há uma mistura de vários ritmos musicais como funk, axé, músicas juninas, entre outras, além da performance dos brincantes que sempre arrancam muitas risadas do público.

Quadrilha Junina Tatu K-minha Dentro. Foto: Jota Barbosa.

Segundo um dos coordenadores da quadrilha, Marcel Santos, a quadrilha também é considerada um movimento social. "A gente tem costume de falar que somos um grupo de entretenimento folclórico e social, a gente vai trabalhar sempre no foco da diversão. Ela surgiu a partir do momento que eu e mais quatro amigos fomos excluídos da quadra junina porque um não tinha dinheiro para pagar a roupa, foi aí que a gente decidiu que a Tatu K-minha dentro seria um movimento social, onde nós nunca iríamos cobrar roupa de ninguém e nunca iríamos exigir que alguém tenha que dançar certinho. A gente tá aqui para dançar São João, se divertir. Então nosso principal objetivo dentro disso é divertir o povo, reunir o máximo de pessoas possíveis e dançar o São João, sem medo de ser feliz, sem medo de usar a criatividade, sem medo de julgamentos alheios, a gente faz o que der vontade, mas sempre respeitando os limites. As vezes as pessoas não entendem muito o nosso trabalho, mas jamais vamos mudar o nosso trabalho, porque a Tatu tem uma história e a história é essa", contou.

Apresentação do ultimo fim de semana. Foto: Jota Barbosa.

Foto: Jota Barbosa.

A pesar de a Quadrilha fazer uma mistura de ritmos musicais, neste ano a proposta foi um pouco diferente, irá voltar às origens, igual no primeiro ano da quadrilha. Com a temática "Tatu K-minha Dentro Bem Feliz! Trazendo o São João Raiz!", a proposta é fazer sua apresentação com músicas 100% juninas. "A coordenação está com uma expectativa bem alta para essa temporada junina, porque a gente está mantendo a tradição, fizemos os passos totalmente juninos, mas sem tirar a graciosidade, a diversão, as brincadeiras e as bagunças organizadas que a Tatu faz, mas foi totalmente voltado ao São João. Então eu acho que é uma coisa que ninguém espera, já que todo mundo que ver, pensa que vai ver funk na Tatu, já que é um foco, mas nesse ano é totalmente junino. Então a gente está com uma expectativa muito alta. Para o forrozão da cidadania, a gente vai levar as brincadeiras da Tatu, vai levar as novidades, somente danças juninas, mas com passos diversificados voltados aos tatuzeiros, vai ter o casamento na roça, surpresas e homenagens. Então a gente vai fazer de tudo um pouco como nós sempre fizemos. O público pode esperar, que a Tatu está trabalhando há muito tempo para fazer uma grande apresentação", contou Marcel.

Arte de divulgação do tema da quadrilha. Arte: Divulgação.

Investimento financeiro

As quadrilhas juninas enfrentam várias dificuldades na hora de se preparar para as apresentações. Além dos ensaios cansativos, apresentar um espetáculo no São João tem um preço. Eles precisam arcar com os custos como das indumentárias e cenários, o que é bastante caro.

Segundo os presidentes das quadrilhas, o investimento previsto neste ano para a Quadrilha Sabor Junino é de aproximadamente vinte e quatro mil reais. Já a quadrilha Arafuá tem previsão de investir cerca de quinze mil reais. A prefeitura de Afuá repassou um incentivo financeiro para ajudar nos custos. Apesar de esse valor não ser suficiente para cobrir todas as despesas, as quadrilhas encontram formas criativas de arrecadar dinheiro. "Desde o mês de fevereiro estamos trabalhando com vendas de comidas e rifas e também têm aquelas pessoas que acreditam no potencial artístico do município que são os nossos patrocinadores, que nos deram um grande suporte", afirmou a presidente da Sabor Junino.

"É através de rifas, de patrocínio, indo com um amigo e com o parente do amigo, para ele patrocinar um prato de comida, patrocinar o espaço para que possamos fazer eventos, falando com a comunidade, pedindo porta a porta com carro de som, fazendo com que a população faça parte desse momento para que ela veja que se ela der 10 centavos, esses 10 centavos vão ser usados para x coisas e nós dependemos muito dessa ajuda", relatou o presidente da Arafuá.

Além da venda de comidas em seus eventos e rifas, as quadrilhas também utilizam as redes sociais para divulgar a sua arte e conseguir mais visibilidade, o que acaba trazendo mais público e apoiadores. Mesmo com as dificuldades, as quadrilhas juninas não desistem e continuam trabalhando duro para levar alegria e tradição às festas juninas.

As quadrilhas juninas são uma atividade cultural que vai muito além da diversão e da animação. Elas movimentam a economia local e valorizam a cultura do município de Afuá, trazendo benefícios sociais e econômicos para a comunidade em geral.

Ao participar de uma quadrilha junina, os membros investem dinheiro em diversos itens como roupas, adereços e maquiagem . Além disso, muitas quadrilhas também investem em cenários e decorações, para deixar as apresentações mais bonitas e impactantes.

Todo esse investimento gera um impacto positivo na economia local, uma vez que muitos desses itens ou quase todos, são adquiridos de fornecedores e comércios da própria cidade. Além disso, as quadrilhas juninas também costumam se apresentar em diversos eventos, atraindo público e gerando renda para os vendedores ambulantes e  comércios em geral.

Com toda a dedicação e empenho, podemos ter certeza de que o Forrozão da Cidadania deste ano em Afuá será um evento inesquecível para todos os públicos que acompanharem esses espetáculos. Se você quer curtir tudo o que as festas juninas têm a oferecer, não deixe de prestigiar as apresentações dessas e outras quadrilhas juninas do nosso município.